Rede social: nova ferramenta para networking requer perfis autênticos, mas moderados

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Por: Andressa Pessanha

A adoção das redes sociais na vida dos brasileiros que procuram aprimorar suas relações profissionais e pessoais se tornou quase unânime. Segundo dados da ComScore, o número de usuários saltou de 33,4 milhões, em 2009, para 40 milhões no ano seguinte. Jennifer Pompilio, de 19 anos, é uma das internautas que não pode deixar de olhar seus e-mails e página pessoal no Facebook. “No Teatro Sopro do Ator, as relações sobre o processo do espetáculo, aulas e atividades de ensaio são comentadas e discutidas no grupo do Facebook”, explica a atriz e aluna de Comunicação Social da PUC-Rio. Jennifer aprova a rapidez e eficiência da ferramenta, o que a aprimora como atriz. Hoje já são 58,7 milhões de pessoas – 35% da população do país – que, como a Jennifer, possuem perfis em diversas redes.

A globalização, impulsionada pela epidêmica internet nos anos 2000, facilitou a escolha pelas redes sociais, responsáveis pela integração em escala global de mais de dois bilhões de pessoas. Esta aproximação, junto da criação de redes com ferramentas de fácil manuseio, facilitou, sobretudo, as relações afetivas entre duas ou mais pessoas nas quais todos saem beneficiados no âmbito profissional ou pessoal; o chamado networking.

– É possível encontrarmos e mantermos uma relação mais próxima com aquele amigo de infância, colega de faculdade ou antigo chefe que não vemos há muitos anos. Além disso, podemos nos aproximar mais facilmente de profissionais, empresários, políticos e outras tantas infinidades de pessoas sem necessariamente criar uma grande estratégia de aproximação em função das facilidades criadas pelas redes sociais – exemplifica o coach José Cavalcanti, nesta área há 28 anos.
A tradutora freelancer, Larissa Rumiantzeff concorda com Cavalcanti, uma vez que seu perfil nas redes sociais a facilitam diariamente no ramo profissional. Depois de ter feito um intercâmbio no ensino médio e outro na pós-graduação de Letras na faculdade, ela mantém contatos com seus colegas estrangeiros instantaneamente graças a tais ferramentas. Segundo Larissa, já fez uma “mini-tradução” para um destes colegas via internet.

– Uso o facebook para tudo. Tenho uma página profissional, mas o que funciona mesmo são os grupos de trabalho no facebook, por exemplo: Tradutores e intérpretes. Eles são uma boa forma de fazer networking. E sempre tem alguma oferta de trabalho por lá – relata a tradutora de 29 anos, alegando que também usa o Instagram (rede focada em fotos).

Entre as principais ferramentas sociais online, segundo levantamento da ComScore, as pioneiras são: Facebook, LinkedIn e Twitter. Mesmo vistas como uma forma de fortificar os laços, em qualquer uma delas, o perfil virtual requer um comportamento tão cuidadoso quanto pede o ambiente real, e a superexposição é a grande causadora disto. O modo como se passa a dividir com muitas pessoas as próprias vidas e o que se oferece em um perfil pode trazer consequências com a mesma rapidez que se chega uma mensagem publicada na linha do tempo de alguém.

– Se publicarmos alguma coisa politicamente incorreta, por exemplo, pagaremos o preço desta exposição. A rede social traz uma facilidade de sermos autênticos, mas, infelizmente, ficamos também vulneráveis – ressalta Edmundo Fornasari, coach de carreira (profissional que instrui o cliente a evoluir em uma área específica) e CEO de sua própria consultoria de negócio.

Os especialistas recomendam a proximidade da vida virtual com a vida real de forma moderada, ou seja, o usuário deve ser autêntico e evitar o excesso de comentários e publicações íntimas ou de pouco interesse social, como o que comeu na janta, quem o cachorro da vizinha mordeu ou que falou para o marido durante uma discussão.

O cenário das redes sociais durante as eleições de segundo turno para presidente do Brasil e governador do Rio de Janeiro representaram foi um exemplo prático de que é necessário medir as próprias postagens. A solução de Jennifer para manter um perfil adequado é evitar discussões de assuntos ou opiniões que possam ofender outras pessoas, como os temas religiosos ou sobre orientação sexual, considerados polêmicos para a atriz. Já Larissa restringe a amigos suas postagens e dados que considera pessoal. “O máximo que faço é compartilhar posts que acho interessantes, com os quais eu concorde ou não”, explica a tradutora.

Outra desvantagem é trazer para dentro do seu networking pessoas que não estão “alinhadas com seu interesse”, como argumenta Cavalcanti. A Isso acaba sendo um fator de conflito e instabilidade. Segundo ele, muitas vezes há um foco na quantidade de pessoas adicionadas quando a preocupação deveria estar em alimentar adequada e sistematicamente a rede já existente.

Apesar da facilidade que estas ferramentas virtuais proporcionam, as relações multi-benéficas sempre existiram e ainda precisam ser praticadas também no mundo real. De acordo com Fornasari, o networking se constrói durante e para a vida inteira. Esta teia de contatos vem desde a sala de aula até o setor de seu emprego anterior, e o desenvolvimento dela exige “a melhor forma de fazer contato”: o one to one, ou seja, pessoalmente.

Andressa Coutinho Pessanha, tem 19 anos e é aluna do terceiro período de Comunicação Social na PUC-Rio e repórter do Portal PUC-Rio Digital.

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