Os executivos brasileiros querem trabalhar no exterior

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Nos últimos dois anos, houve um aumento na procura de altos executivos brasileiros por oportunidades profissionais em países da Europa e nos Estados Unidos, segundo a headhunter Ângela Pêgas, sócia da consultoria suíça Egon Zehnder. O motivo, claro, é a fraca economia doméstica “Além das dificuldades em diferentes segmentos”, diz Ângela, “pesa também o fato de termos pouca clareza sobre quando esse ciclo econômico vai se inverter, de quando o cenário será mais positivo, com crescimento.”

Há ainda um fator pessoal. “No passado, os profissionais queriam ir para o exterior para ter uma experiência de carreira, se tornarem executivos mais globais e terem uma maior possibilidade de crescimento”, afirma a consultora. “Hoje, o que vale mais é a oportunidade de seus filhos viverem em uma sociedade com menos violência e com valores mais fortes praticados.” Segundo ela, os executivos estão mais preocupados com a segurança de suas famílias e com a qualidade da educação das crianças do que diretamente com suas carreiras. “São decisões ligadas principalmente à vida familiar.”

Posições de alta gestão em empresas no exterior, no entanto, ainda são raras para os brasileiros. O que há são casos pontuais. “Normalmente, o mais comum é serem chamados por um ex-chefe estrangeiro que migrou para outra companhia”, diz Ângela. Outra possibilidade, diz ela, é o profissional ter uma especialidade muito difícil de ser encontrada no mercado.

O caminho mais fácil para sair do Brasil é, portanto, a expatriação dentro da própria empresa. Até dois anos atrás, essas oportunidades para os brasileiros contratados por multinacionais se restringiam principalmente aos estágios iniciais da carreira, segundo Alexia Franco, sócio-fundadora da Unique Group, consultoria especializada em recrutamento de executivos de média e alta gestão. “Era comum que o executivo em formação fosse transferido para o exterior”, afirma ela. “Quase não havia cargos de direção disponíveis para os brasileiros”.

Desde 2013, ela começou a observar uma mudança nesse cenário. "Há um crescimento na demanda por profissionais brasileiros em cargos de alta gestão", afirma. Especialmente em companhias para as quais a filial brasileira tem um peso importante no resultado do grupo. “O principal setor é o de óleo e gás”, afirma Alexia. “Há hoje a necessidade de gestores que falem português devido à relevância que o Brasil ganhou globalmente.”

Para Alexia, o interesse das multinacionais pelos brasileiros tem a ver, também, com uma questão de perfil. "As companhias estão cada vez mais interessadas em ter executivos com jogo de cintura, flexibilidade e uma capacidade de ir atrás de ir do que precisa", diz.

Ela afirma ainda que, em 15 anos, as barreiras entre o Brasil e o resto do mundo devem ser menores. Haverá, portanto, uma competição natural entre brasileiros e executivos de outras nacionalidades por cargos de gestão. Assim, será mais comum enocontrar oportunidades mesmo em outras companhias. “Até por uma questão de envelhecimento da mão de obra, as empresas serão obrigadas a olhar alternativas. E não dá para ter só a mentalidade local”, diz Alexia.

Matéria do site Época Negócios

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