“O verdadeiro networking se faz não quando você está precisando, e sim quando você cria alguma coisa de bom”

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Por: Andressa Pessanha

No Brasil, 35% da população usa uma ou mais redes sociais pelo menos uma vez ao dia, segundo dados da ComoScore. Por isso, o desenvolvimento de relacionamentos, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional também migrou para este mundo virtual. São cerca de 1,5 bilhões de usuários em redes como o Facebook, LiknedIn e Twitter. Porém, não basta ter uma conta e publicar o que bem entender somente por ser o seu perfil. O CEO da Consultoria de negócio com seu próprio nome e coach de carreira, Edmundo Fornasari, argumenta, em entrevista ao Jornal, que a ligação entre o pessoal e o virtual deve existir da forma mais fiel possível, mas com cautela. Segundo ele, a mesma velocidade que a rede social te proporciona para se relacionar com milhares de pessoas, também pode impulsionar consequências imediatas dentro e fora da internet.

Jornal: Pode se dizer que atualmente a rede social é a ferramenta mais utilizada para o networking?

Fornasari: Acho que o networking é algo que se constrói para a vida inteira, mesmo tendo agora a rede social como ferramenta. Por exemplo, começamos o networking na sua sala de aula, com nossos amigos; depois continuamos com os professores e ampliamos com pessoas de outras áreas. A melhor forma de fazer o networking é o chamado one to one (pessoalmente). Então, se eu conheço uma estudante que me procurou e eu me lembro dela, é porque é uma boa aluna, deixou uma lembrança, algo de positivo. Temos que deixar algo de positivo. Uma pessoa simpática e aberta a novidades conta bastante, é um tipo de posicionamento que nos faz lembrar na hora o que ela tem de positivo. O networking sempre existiu independente da rede social, mas de modo diferente, através de encontro, cartão ou telefone. O que mudou hoje é o acesso a centenas de milhares de pessoas nas redes sociais.

Jornal: Quais são as vantagens e desvantagens das redes sociais para realiza-lo?

Fornasari: A velocidade: conseguimos atingir mais gente em menos tempo; a não limitação no território geográfico, já que falamos com o mundo inteiro com maior facilidade; grupo de discussões onde podemos nos agrupar com pessoas relacionadas ao nosso trabalho. Por exemplo, eu faço parte de um grupo chamado Café com consultores, pessoas que fazem consultoria no país inteiro e nos reunimos na web para discutir determinados assuntos, no Facebook você encontra diversos grupos como esse. Outra vantagem é a facilidade de empenho em algumas causas sérias, como uma discussão ou movimento contra o desmatamento da Amazônia. É muito dinâmico, porém perigoso, e é aí que entram as desvantagens. A própria velocidade de comunicação desencadeia isto, pois, às vezes, pensamos que se conectando com mil amigos teremos o número igual de relacionamentos. A rede social serve para facilitar o relacionamento somente. O verdadeiro networking se faz não quando você está precisando, e sim quando você cria alguma coisa de bom para continuar o relacionamento. Algo de mau também é o modo como passamos a dividir com pessoas as nossas vidas, sobretudo como e o que vamos oferecer. Se publicarmos alguma coisa politicamente incorreta, por exemplo, pagaremos o preço desta exposição. A rede social traz uma facilidade de sermos autênticos, mas, infelizmente, tem muita gente se aproveitando para mentir e enganar pessoas vulneráveis.

Jornal: O perigo da superexposição como desvantagem para o networking profissional, por exemplo, se debruça também sobre a posição política. Nestas eleições tivemos episódios recorrentes desse tipo de opinião, até agressiva, tanto nas redes quanto nas ruas. O senhor recomenda essa posição?

Fornasari: Se você estiver dividindo suas ideias com seus amigos íntimos, entre três ou quatro pessoas, não vejo problema. Mas mais que isso não dá para dividir. Assim como religião e sexualidade, política é uma das coisas que a sociedade ainda não se habituou a discutir abertamente de modo civilizado. Eu, particularmente, não recomendo colocar questão política, porque as redes sociais são muito amplas. Eu tomaria mais cuidado com esse tipo de opinião que pode trazer um efeito negativo para o networking. Pode até surtir um efeito positivo, mas política é um assunto arriscado. É uma coisa muito pessoal e na rede social tem muita gente para se discutir isso, o que não é ideal.

Jornal: Em termos de comportamento virtual para o networking, como seria um perfil ideal?

Fornasari: Não existe um perfil ideal. Eu acho que em primeiro lugar, temos que ser autênticos. Não podemos ser uma pessoa real e uma virtual totalmente diferente, temos que ser o mais próximo possível do nosso real. Não teremos uma postura inadequada a nossa história de vida, convicções e simplesmente mentir. Estarmos seguros do que estamos colocando ali, assim como das condições em que colocamos, sabendo que tais envolvem um certo risco. Hoje já tem casos de pessoas que podem até interpretar mal algo que você escreve te processar. Não é que exista um perfil ideal, existem perfis menos problemáticos, ou que podem trazer menos ou nenhum problema. Então a palavra mais certa da rede social é o bom senso.

Jornal: O senhor acha que redes mais fechadas como Snapchat e Whatsapp podem ajudar as pessoas a separar as relações pessoais das profissionais?

Fornasari: Eu acho que algumas redes, como o Facebook, viraram a revista Caras, pois todo mundo é feliz, sorridente e estrela. Não necessariamente deveria ser assim, também não acho que deveríamos dividir todos os tipos de frustrações ou problemas da vida, mas é preciso ser um pouco mais realista. Tanto que eu acho que ele vai perder o seu sentido no futuro porque é um mundo muito artificial, ninguém tá triste, isso não é real. No futuro, vamos ter redes sociais muito mais segmentadas, onde teremos capacidade de interagir mais naturalmente com menos pessoas, o Snapchat e o Whatsapp, com seus números de usuários crescentes, mostram isso. Portanto, nas redes sociais profissionais, a tendência é que se expandam cada vez mais, o que é legal, pois te proporcionam, por exemplo, uma oportunidade de entrevista na China ou na Alemanha.

Andressa Coutinho Pessanha, tem 19 anos e é aluna do terceiro período de Comunicação Social na PUC-Rio e repórter do Portal PUC-Rio Digital.

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