Mais humano, mais confiável

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Não são só os líderes políticos que sofrem uma crise internacional de credibilidade. A desconfiança é até pior no mundo dos negócios, segundo o “barômetro” anual publicado pela Edelman, maior empresa de relações públicas do mundo. Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial produziu resultados semelhantes e outra, da Freshfields, de Londres, vai um pouco além: enquanto 49% da opinião pública não acredita em boas intenções no mundo dos negócios, apenas 37% dos CEOs se disseram preocupados com o grau de confiança dentro das próprias empresas que comandam.

Analisando as evidências, o consultor Tim Leberecht, num artigo para a Harvard Business Review, atribui esse estado de coisas à cultura de “desumanização da liderança”, uma tendência geral de ver os líderes como super-homens e supermulheres, oscilando entre um frio instrumento a serviço da empresa e um herói visionário. Muitos líderes, segundo Leberecht, deixam-se orientar por essas expectativas. Isso significa não expor fragilidades, fazer os planos sozinho e mantê-los inflexivelmente, minimizar riscos e mostrar-se sempre coerente e controlado.

Leberecht sugere uma mudança de padrão para que os níveis de confiança e respeito comecem a subir. Em vez de se render à desumanização, os líderes deveriam deixar aflorar sua humanidade. Por mais que isso pareça uma ideia simples, até óbvia, não é fácil mudar um comportamento cultivado durante anos. Leberecht sugere a adoção de três iniciativas.

Mostre emoção. O consultor recomenda “pequenos momentos de conexão e intimidade”. “Mais do que de metas ou benefícios, os funcionários gostam de momentos que criam vínculos, porque isso satisfaz suas necessidades de seres sociais”, diz Leberecht. “Demonstrar alegria ou entusiasmo é mais agradável, mas, quando for o caso, também é positivo expressar decepção, preocupação ou raiva.”

Seja excêntrico. Expor idiossincrasias, caprichos e pequenas paixões torna os chefes mais humanos no ambiente de trabalho. Recentemente a revista Wired descreveu o estilo de liderança de Satya Nadella, o bem-sucedido diretor executivo da Microsoft, como “gentil, confuso e meio louco”. Ao líder que quiser adotar esta sugestão, Leberecht recomenda que escolha aspectos de sua personalidade ou vida pessoal que possam causar surpresa e diversão e compartilhe com os funcionários.

Fale de suas dúvidas. Qualquer profissional inteligente e maduro sabe que raramente existem respostas únicas, menos ainda para situações novas e complexas. Expressar dúvidas, pedir opiniões e estar disposto a mudar são princípios que não só tornam o líder mais humano aos olhos dos subordinados como levam a melhores decisões, o que também contribui – e muito – para inspirar confiança.

Matéria do site Época Negócios

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