Jogue fora compromissos que não terá como cumprir

Como gerenciar o inbox abarrotado, a agenda caótica ou a pilha de relatórios que se avoluma na mesa de trabalho? Segundo o consultor americano Ed Batista, a palavrinha mágica que se costuma empregar nessas ocasiões (“Priorize!”), não é de grande ajuda. “Ao colocarmos as coisas numa ordem de prioridade, está implícito que, apesar de algumas estarem no topo da lista e outras no fim, todas merecem nossa atenção”, diz. Aí jaz o problema. Não há tempo suficiente no dia, na semana – ou na vida – de um executivo para cumprir todos os compromissos que se apresentam. Priorizar é necessário, mas insuficiente. “O passo seguinte, crucial, é o da triagem”, diz.

Triagem? Batista, que é professor da Stanford Graduate School of Business e autor do livro a ser lançado em breve Self Coaching (“Autocoaching”), diz que buscou nos hospitais de pronto-socorro a inspiração. “Numa crise, a equipe do hospital tem de decidir quem precisa de atendimento imediato, quem pode esperar, quem não precisa de ajuda e quem não pode mais ser salvo”, diz. A triagem não pressupõe só o foco nas coisas importantes. Nela, deve-se ativamente ignorar e descartar os compromissos de pouca importância.

O primeiro passo da triagem, diz Batista, é a mudança de comportamento em relação aos compromissos não cumpridos. “Costumamos enxergá-los como sinal do nosso fracasso, da nossa ineficiência. Mas é o contrário. São sinais de sucesso, de que muita gente requer o nosso tempo e atenção.”

É imprescindível, igualmente, abrir mão das ferramentas erradas, vendidas como panaceia pelos gurus, como a gestão de tempo e a produtividade pessoal. “Elas se revelam fúteis, pois o seu molde é o da priorização”, diz. Por fim, deve-se criar imunidade à chantagem emocional inerente à atividade de triagem. “Ela não é só um processo cognitivo, há uma carga emocional envolvida, pois rejeitar algo ou alguém muitas vezes nos faz sentir mal.” Passar inclementemente a tesoura em pessoas e compromissos, nos e-mails e na lista de tarefas, é por si desagradável. Mas não há escolha. “Cortesmente, mas de modo firme, devemos aprender a dizer não.”

Matéria do site Época Negócios

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