Empresas brasileiras têm menos rotatividade de CEOs

As empresas brasileiras de capital aberto reduziram a rotatividade no cargo de CEO, de acordo com um estudo realizado pela consultoria Strategy&. Em 2013, a média de contratações registrada foi de 21,8%. Em 2014, esse número caiu para 10%, abaixo da média global de 14,3%.

“A queda do número de sucessões de CEOs no Brasil aconteceu pelo período de crise e incertezas que estamos vivendo. Os conselhos tornam-se mais conservadores e promovem menos mudanças”, diz Carlos Eduardo Gondim, sócio da Strategy& no Brasil.

Globalmente, as empresas estão aprimorando seu planejamento para a troca dos altos executivos. A porcentagem de sucessões planejadas no cargo de CEO subiu para 82% no período entre 2012 e 2014, de acordo com o relatório. Em 2014, os números globais reforçam a tendência de crescimento: 86% das trocas foram planejadas e apenas 14% foram forçadas.

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O Brasil segue pelo mesmo caminho. Em 2013, 67% das mudanças foram fruto de planejamento interno. Já no ano passado, o índice cresceu para 90,9% - das 110 empresas analisadas localmente, apenas 11 promoveram sucessões, das quais nove foram planejadas, uma forçada e uma resultante de um processo de fusão e aquisição.

Sucessão em fase de melhorias
Na maioria das empresas globais (78%) que promoveram a troca de CEOs no ano passado, o cargo foi assumido por alguém de dentro da organização. “Esta é uma quantidade saudável para sucessões internas e que apresenta algumas vantagens. Observamos que, em 10 dos 15 anos analisados pelo estudo, CEOs que são promovidos internamente permanecem no cargo por um pouco mais de tempo e entregam valor total mais alto para os investidores ao longo do seu tempo na função”, afirma Paolo Pigorini, diretor administrativo da Strategy& para a América do Sul.

O Brasil, no entanto, rumou na direção contrária no último ano. Em 2013, 70% das companhias optaram por executivos “da casa”. No ano passado, essa porcentagem caiu para 56% -- bem abaixo da média global. Já a porcentagem de executivos que vem de fora está crescendo: 44% dos novos CEOs do país vieram de outras empresas, contra os 22% da média global. “Essa movimentação é interessante, uma vez que, além dos novos CEOs virem de outras empresas, muitos vieram de outras indústrias”, ressalta Gondim.

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No que diz respeito ao tempo do executivo exercendo a função, os dados do Brasil são inferiores à média global, embora essa diferença venha sendo reduzida gradativamente: 4 anos no Brasil, em comparação com os 5,3 anos registrados nos dados globais. O maior tempo de permanência na função foi de 7,8 anos, registrado nos Estados Unidos e no Canadá.

Quanto à faixa etária, pela primeira vez os executivos brasileiros promovidos ao cargo de CEO ultrapassaram a média global, de 52 anos, para dar espaço a pessoas a partir dos 53. Os demitidos ou realocados são mais jovens: têm cerca de 50 anos, oito a menos do que em outros países.

Em termos de nacionalidade, o Brasil dá preferência a executivos nascidos no país: 81%, uma porcentagem também alinhada com as tendências globais. Em 2014, 85% dos CEOs contratados no mundo eram do mesmo país de suas respectivas empresas.

Matéria do site Época Negócios

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