4 razões para os jovens talentos preferirem as startups

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Soa um tanto utópica essa história de conciliar felicidade com trabalho duro, metas rígidas e a busca incessante por rentabilidade – sobretudo num ambiente macroeconômico desfavorável. Para essa nova geração, contudo, a mistura desses quatro ingredientes representa não somente um objetivo profissional factível, mas uma filosofia de vida a ser defendida e perseguida diariamente.

Pesquisas demonstram que a maioria dos jovens que finaliza seu MBA em uma escola de prestígio prefere tentar o negócio próprio ou se juntar a uma promissora startup, em vez de buscar uma posição numa megaempresa já estabelecida. É um cenário bem diferente de 30 anos atrás. O que fez essa mudança acontecer? E quais as implicações para quem lidera essa nova geração?

São vários os motivos da transformação, mas quatro reflexões sobressaem:

1) Felicidade também tem a ver com “subir rápido”. Antes, para chegar a diretor, o camarada (se demonstrasse algum talento) teria de esperar uns 10 a 15 anos até assumir o posto. É tempo demais para os jovens de hoje. Por isso, a preferência pelas empresas menores, cuja ascensão pode ser mais rápida.

2) Eles querem impactar na estratégia. Essa história de ser trainee de um departamento e só se dedicar àquela determinada área deixa o jovem talento desestimulado. Ele quer saber para onde a empresa está indo e qual o seu papel nessa trajetória. Mais do que participar de inúmeros programas de treinamento, o jovem de hoje acredita no aprendizado prático, a velha história da mão na massa. Para ele, empreender dentro da empresa ou do próprio negócio é o melhor caminho.

3) Hierarquia mais informal ajuda um bocado. Menos burocracia, também. Jovens talentos querem ouvir, saber e até debater com o presidente os rumos do negócio e da sua área. E cobram decisões mais rápidas, sem dezenas de apresentações ou comitês para aprovar esta ou aquela medida.

4) Felicidade, para eles, é... valorização. Dê o crédito que o jovem talento merece e você terá um defensor da causa da empresa. Se o ambiente é legal e ele está deixando a sua marca na empresa, não terá motivos para deixar a companhia. Aquela história de infidelidade corporativa da nova geração só ocorre com empresas que não sabem valorizar esse “ativo”. O sentimento de pertencer é, para eles, mais importante do que carregar um cartão de visitas com o logo de uma grande empresa.

Muitos líderes mais seniores podem até achar que a nova geração está fora da realidade. Será mesmo? O avanço da tecnologia permitiu que, de um dia para o outro, surgisse uma série de empresas novatas quebrando barreiras e ameaçando a hegemonia de grandes companhias. Pense em Stubhub, booking.com, Drive Now, 99 táxis, Spotify... Esse momento disruptivo é capitaneado justamente pela geração “fora da realidade”. Entender como utilizar esse potencial criativo, empreendedor e provocador passou a ser, portanto, fundamental para qualquer um que queria manter sua empresa em condições de competir. Algumas grandes companhias já estão se mexendo para usufruir deste talento sem, necessariamente, ter de reformular todo o seu quadro de funcionários ou os seus processos. É o caso da rede britânica de lojas de departamentos John Lewis, fundada há mais de 150 anos. Em 2014, a John Lewis lançou a JLab, aceleradora que convida 10 startups para trabalhar durante o ano em suas instalações, com amplo acesso ao seu time executivo e com objetivo de melhorar produtos e serviços no varejo. Neste processo, a própria John Lewis pode se tornar o primeiro grande cliente dessas empresas inovadoras.

Trabalhar com talentos nunca foi fácil, em tempo algum. Com essa nova geração, ávida por mudar o mundo, o desafio é ainda maior. Não devemos nem supervalorizar os jovens, assumindo o risco de se descolarem completamente da realidade, nem criticá-los por terem posturas que não foram as nossas, sob a ameaça de perdermos seu talento, energia e ambição pela inovação disruptiva. Um bom time sempre mistura o ímpeto e a experiência. As gerações podem trabalhar em harmonia. A criatividade está em buscar o melhor de cada uma.

Artigo do site Época Negócios, por Sergio Chaia

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